Amarrado em minha cama pelas preocupações da vida, é como se
estivesse emaranhado por fios de aço, e em suas pontas, pesos de ferro me
puxando para baixo. Os pesos aumentam a cada segundo e as cordas apertão mais e
mais, fazendo com que meu corpo se mutile e abra como um semente em solo fértil.
A inevitável ruptura da minha cabeça faz com que minha mente pule para fora
como labaredas de uma fogueira.
Tudo que sou capaz de fazer é respirar e deixar meus olhos
rodando freneticamente nas orbitas de minha face, procurando ajuda ou
explicação plausível para tal tortura. Não quero lembrar, e talvez nem tenha
permissão, que sou meu próprio carcereiro e que me joguei de cabeça no Tártaro.
O telefone toca, apesar de não ter mais gancho para se
prender, e ao atender só o eco mudo do meu próprio vazio responde. Mais um
trote da vida? Com toda a certeza ela ainda tem meu número, apenas está
esperando algum grito de ódio ou dor para poder cortar a luz dos meus sentidos.
E eu grito. Grito e esperneio desesperadamente em uma
tentativa em vão de fugir das correntes invisíveis que me prendem.
Só me resta esperar pelo ponto final ou vírgula que dará
continuação a história. Porém, tudo que recebo em troca, são apenas pontos de
interrogação após cada sentença falada ou pensada. Os dias não tardam a chegar,
e as noites não se cansam de se arrastar em direção ao nada.
Se ao menos me dissessem em palavras claras que o fim é
inevitável, ou que o fim é só o
começo... mas são sempre metáforas, como um presente sob minha porta, um
presente dado de má vontade. E como uma bomba relógio só está esperando a hora
de explodir e derrubar as torres que levei eras para construir.
Amarrado; só esperando os segundos passar e passar. Só
esperando o momento que tudo irá pelos ares, em estrondosa ira, e ver meu
castelo ruir com a promessa que tudo ocorrerá de novo algum dia do amanhã.
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